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31 de dez de 2013

livro aleatório - desejo para 2014

“Não existe sociedade multicultural possível sem o recurso a um princípio universalista que permite a comunicação entre indivíduos e grupos social e culturalmente diferentes. Mas também não há sociedade multicultural possível se esse princípio universalista comandar uma concepção da organização social e da vida pessoal que seja julgada normal e superiora aos outros. O apelo à livre construção da vida pessoal é o único princípio universalista que não impõe nenhuma forma de organização social e de práticas culturais. Não se reduz ao lasser-faire ou à pura tolerância, primeiro, porque impõe o respeito da liberdade de cada um e, por isso, a recusa da exclusão; em seguida, porque exige que toda referência a uma identidade cultural se legitime pelo recurso à liberdade e à igualdade de todos os indivíduos e não por um apelo a uma ordem social, a uma tradição ou às exigências da ordem pública.”
Alain Touraine. Poderemos Viver Juntos? Iguais e Diferentes.


Abri este livro, outro dia, na página deste trecho. Acabei relendo quase o livro inteiro novamente. Recomendo muitíssimo. A globalização nos mistura e, ao mesmo tempo, não ajuda em nossa própria compreensão a respeito de nós mesmos. Muitos, quando buscam abrigo em uma identidade ou comunidade com a qual se identificam, acabam rejeitando o outro. A diferença, nestes casos, aparece como uma ameaça.

Dentro da globalização, as inovações das tecnologias de comunicação derrubaram as barreiras que separavam a vida pública e a privada. Cada pessoa, à sua maneira, tenta combinar essa participação em um mundo globalizado com a afirmação de suas heranças culturais e pessoais, buscando a construção de uma vida individual.

O recado deste último livro aleatório, neste último dia do ano, é para que não nos isolemos e não cedamos ao egoísmo puro e simples. Como diz o autor: que lutemos simultaneamente contra a dominação dos mercados e contra os poderes comunitários, reconhecendo ao outro e a si mesmo o direito de ser um sujeito. Que coloquemos a democracia, o direito e a educação a serviço da liberdade de cada sujeito.

Como eu já disse AQUI: repetem tanto por aí que devemos amar uns aos outros... Esquecem que o amor é irmão do ódio e que a linha de separação entre eles é bem tênue, fácil de ser cruzada já que são sentimentos com enorme carga de irracionalidade. Odeio, genuinamente, certos tipos de gentes. Acho-as um câncer para o planeta e para a própria humanidade... mas não tenho o direito de querer tirar-lhes quaisquer direitos. Ninguém precisa amar ninguém, apenas respeitar a liberdade e a existência plena dos outros.

Esse é meu desejo para 2014: que ninguém se ame, mas que todos se respeitem para que possamos, todos, viver juntos. Iguais e diferentes.





O último livro aleatório teve João Ubaldo Ribeiro, foi sobre sexo e pode ser lido AQUI.



NOTA: eu escreveria um texto um pouco mais elaborado ou mesmo uma retrospectiva deste ano que está acabando... mas esse último mês do ano foi tão pintado com cores surrealistas que hoje, por exemplo, meu carro morreu (não liga nem com macumba!). Ou seja, só quero que dezembro descanse em paz e suma de vez. R.I.P. 2013!!! (texto sobre esse mês infernal AQUI)